A jovem Miranda Sinclair precisa desvendar um
enigma na Nova York do final da década de 1970. Em Amanhã você vai entender,
seu melhor amigo é agredido na rua, um estranho pode ter invadido a casa dela e
uma série de bilhetes, que ela não compreende nem tampouco sabe quem escreve,
alerta sobre a morte de alguém. Alguém que ela poderá ajudar a salvar. À medida
que as mensagens chegam, Miranda percebe que quem as escreve sabe de detalhes
de sua vida que ninguém deveria saber. E, conforme as peças do quebra-cabeça se
encaixam, ela finalmente percebe que a resposta sempre esteve ali, bem em sua
frente - mas o tempo é ardiloso: guarda hoje momentos que só amanhã você vai
entender. Amanhã você vai entender, segundo livro de Rebecca Stead, recebeu a
Medalha Newbery, prêmio da American Library Association destinado às mais
importantes contribuições norte-americanas à literatura jovem.
Amanhã Você Vai Entender conta sobre Miranda, uma garota de
12 anos que tem o seu mundo abalado quando seu melhor amigo – Sal – é atacado
no caminho de volta para o condomínio que os dois moram e estranhamente deixa
de falar com Miranda. Para piorar, a garota tem seu apartamento invadido por um
estranho que encontra a chave reserva e leva consigo, deixando apenas um
bilhete. Apesar de ser assustador pensar em algo desse tipo, o invasor não mexe
em nada dentro da casa delas, aparentemente. Seu bilhete é ainda mais peculiar:
diz que a pessoa está vindo para salvar a ela e mais alguém, amado por Miranda,
além de pedir para que ela faça uma carta.
Em meio a esse mistério, o leitor vai compreendendo a trama
que é infantojuvenil e percebe que o livro tem como o seu principal tema o
tempo. É muito interessante o modo como os capítulos vão e vêm no tempo de
Miranda, às vezes antes da agressão ao Sal, outras depois. São muito bem
retratadas as dúvidas dos personagens e bem esclarecidas, na medida do
possível, é claro, pois o tempo é um assunto bem discutível.
“O tempo é como um anel todo cravejado de
brilhantes – sem começo nem fim;
cada pedra, um momento.”
Outros bilhetes chegam e parecem saber muito sobre a vida de
Miranda, até mesmo aquilo que ainda vai acontecer, como vemos a partir das
“Três Provas” que o misterioso remetente faz para a garota acreditar nele e
fazer o que ele lhe pede. Aos poucos percebemos que o livro – narrado em
primeira pessoa por Miranda – é a carta que ele pediu para que ela fizesse, o
que se torna especial à medida que tudo vai se esclarecendo.
É um livro rápido de se ler, com as suas 224 páginas, cheias
de capítulos e com uma letra não tão pequena. A Editora Intrínseca caprichou na
capa e certamente vendeu muitos exemplares por esse motivo. Tanto a capa
brasileira quanto a americana retrata o bairro onde Miranda mora, com todos os
seus pontos bem descritos no decorrer da estória, funcionando como o ponto
chave onde as coisas acontecem.
O final é bem vago em algumas questões, mas talvez seja
porque o tempo é um mistério para todos nós e provavelmente seja melhor
continuarmos sem entendê-lo, deixando sempre para o amanhã.
Destaque para a influência que Rebecca Stead teve ao escrever
este livro. “Uma Dobra no Tempo” de Madeleine L’Engle, lançado há mais de 50
anos, foi extremamente motivador para a autora, que se mostra grata após o
término de seu livro. Uma Dobra no Tempo é um clássico americano muito
reconhecido, além de participar da série Lost em um episódio, ser um dos livros
prediletos de Suzanne Collins (autora de Jogos Vorazes), chegando a ser citado
em Extraordinário, entre outras aparições em diversos cantos da cultura que
está a nossa disposição. Depois dessa, vale ou não vale a pena dar uma procurada
neste livro e lê-lo?

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