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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Amanhã Você Vai Entender - Rebecca Stead


A jovem Miranda Sinclair precisa desvendar um enigma na Nova York do final da década de 1970. Em Amanhã você vai entender, seu melhor amigo é agredido na rua, um estranho pode ter invadido a casa dela e uma série de bilhetes, que ela não compreende nem tampouco sabe quem escreve, alerta sobre a morte de alguém. Alguém que ela poderá ajudar a salvar. À medida que as mensagens chegam, Miranda percebe que quem as escreve sabe de detalhes de sua vida que ninguém deveria saber. E, conforme as peças do quebra-cabeça se encaixam, ela finalmente percebe que a resposta sempre esteve ali, bem em sua frente - mas o tempo é ardiloso: guarda hoje momentos que só amanhã você vai entender. Amanhã você vai entender, segundo livro de Rebecca Stead, recebeu a Medalha Newbery, prêmio da American Library Association destinado às mais importantes contribuições norte-americanas à literatura jovem.

Amanhã Você Vai Entender conta sobre Miranda, uma garota de 12 anos que tem o seu mundo abalado quando seu melhor amigo – Sal – é atacado no caminho de volta para o condomínio que os dois moram e estranhamente deixa de falar com Miranda. Para piorar, a garota tem seu apartamento invadido por um estranho que encontra a chave reserva e leva consigo, deixando apenas um bilhete. Apesar de ser assustador pensar em algo desse tipo, o invasor não mexe em nada dentro da casa delas, aparentemente. Seu bilhete é ainda mais peculiar: diz que a pessoa está vindo para salvar a ela e mais alguém, amado por Miranda, além de pedir para que ela faça uma carta.
Em meio a esse mistério, o leitor vai compreendendo a trama que é infantojuvenil e percebe que o livro tem como o seu principal tema o tempo. É muito interessante o modo como os capítulos vão e vêm no tempo de Miranda, às vezes antes da agressão ao Sal, outras depois. São muito bem retratadas as dúvidas dos personagens e bem esclarecidas, na medida do possível, é claro, pois o tempo é um assunto bem discutível.
 “O tempo é como um anel todo cravejado de brilhantes – sem começo nem fim; cada pedra, um momento.”
Outros bilhetes chegam e parecem saber muito sobre a vida de Miranda, até mesmo aquilo que ainda vai acontecer, como vemos a partir das “Três Provas” que o misterioso remetente faz para a garota acreditar nele e fazer o que ele lhe pede. Aos poucos percebemos que o livro – narrado em primeira pessoa por Miranda – é a carta que ele pediu para que ela fizesse, o que se torna especial à medida que tudo vai se esclarecendo.
É um livro rápido de se ler, com as suas 224 páginas, cheias de capítulos e com uma letra não tão pequena. A Editora Intrínseca caprichou na capa e certamente vendeu muitos exemplares por esse motivo. Tanto a capa brasileira quanto a americana retrata o bairro onde Miranda mora, com todos os seus pontos bem descritos no decorrer da estória, funcionando como o ponto chave onde as coisas acontecem.
O final é bem vago em algumas questões, mas talvez seja porque o tempo é um mistério para todos nós e provavelmente seja melhor continuarmos sem entendê-lo, deixando sempre para o amanhã.
Destaque para a influência que Rebecca Stead teve ao escrever este livro. “Uma Dobra no Tempo” de Madeleine L’Engle, lançado há mais de 50 anos, foi extremamente motivador para a autora, que se mostra grata após o término de seu livro. Uma Dobra no Tempo é um clássico americano muito reconhecido, além de participar da série Lost em um episódio, ser um dos livros prediletos de Suzanne Collins (autora de Jogos Vorazes), chegando a ser citado em Extraordinário, entre outras aparições em diversos cantos da cultura que está a nossa disposição. Depois dessa, vale ou não vale a pena dar uma procurada neste livro e lê-lo?

                                                 

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