O temor do sábio dá continuidade à impressionante história de Kvothe, o Arcano, o Sem-Sangue, o Matador do Rei.
Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens.
Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos.
Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver – até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos.
Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.
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| (http://lunnarisaku.deviantart.com/art/The-Name-of-the-Wind-344326468) |
"Estou-lhe dando a minha história, com todos os pedaços imundos intactos. Todos os meus erros e idiotices abertamente expostos à luz." - KvotheO primeiro dia termina nos deixando mergulhados em mistérios e o segundo tem seu inicio logo em seguida. Se em O Nome do Vento, Rothfuss consegue fazer os leitores se apaixonarem pelo magnifico universo que criou, em O Temor do Sábio, ele nos faz perceber que aquele primeiro dia era só um prólogo, comparado com a imensidão e maravilhas que há após ele. A narrativa continua detalhista e cativante, mesmo com algumas partes longas, o ritmo chega a ser mais rápido que o do livro anterior, as quase mil páginas passam a ser apenas um detalhe.
Kvothe continua impulsivo, orgulhoso, obstinado e... humano. Enxergamos suas falhas, suas loucuras e entendemos a vontade de ir atrás do Chandriano, conhecê-lo mais, aprender mais e vingar-se. Notamos que seu passado ainda o atormenta muito e seu presente, algumas vezes, é movido por seu orgulho. Na Universidade, pesquisa como pode, já não impressiona tanto quem esta ao seu redor como impressionava quando chegou, mas ainda tem seus feitos incríveis. Incríveis, porém, muitas vezes, errados. Por ser tão impulsivo, Kvothe causa problemas sobre problemas, usa sua inteligência para fazer besteiras. Kvothe se aproxima do leitor nos detalhes mínimos, ele vai além das expectativas ao mesmo tempo que é comum, que é humano e, por isso, também erra. Os problemas que causou o obrigam a deixar a Universidade por um tempo e neste ponto começam as melhores partes do livro.
Com a ajuda de um mecenas, Kvothe deixa a Universidade e vai para Vintas, com o intuito de trabalhar para um rei, conseguir algum dinheiro, ter novas experiencias e tentar descobrir mais sobre o Chandriano. Kvothe enfrenta obstáculos desde a viagem de ida, até a viagem de volta. Tem que se acostumar com a vida na corte, com a inveja de nobres, com a desconfiança de todos, mas se mostra sagaz, conseguindo lidar com as adversidades. A amizade que criou com este rei o leva à novas aventuras e a cada linha que passa, maior é o desejo de descobrir como Kvothe lidará com as situações.
É possível citar os eventos na floresta, desde o combate com os ladrões até o encontro com Feluriana, podemos nos lembrar do mundo mágico de Feluriana, do mundo humilde dos companheiros de Kvothe na viagem ou do mundo dos jogos na corte, mas o que não podemos deixar de lembrar é o mundo dentro do mundo. O Ademre. Local com uma cultura incomum e fascinante, que proporciona a Kvothe um aprendizado inesquecível. Apenas gestos e sentimentos poderiam definir a singularidade complicada dos ademrianos. As partes que nos obrigam a ir além da leitura e sentir os acontecimentos, em sua maioria, estão no período que Kvothe passou no Ademre.
Os personagens secundários crescem junto com o livro, junto com Kvothe e junto com a história. As amizades estão mais fortes, os mistérios crescem cada vez mais e o conjunto da obra, acaba nos entristecendo, pois ainda não há previsão de lançamento para a continuação.
O livro é uma ponte cuidadosamente moldada que nos instiga a prosseguir e desvendar o fim, para aqueles que se animaram muito com o gigantesco prólogo que o primeiro livro se torna após descobrirmos essa maravilhosa ponte. A ponte satisfaz e vai além das expectativas, acaba nos deixando para chegarmos no final, que promete ser mais grandioso do que tudo que vimos até aqui. Agora, só nos resta: "cuspir para dar sorte" e esperar.
“Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.” - Threipe, pág 316

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