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sábado, 19 de outubro de 2013

Ratos - Gordon Reece


Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

Ratos (lançado em 2011 pela Intrínseca) é um livro narrado em primeira pessoa por Shelley Rivers, uma garota de 16 anos, que já passou por diversos maus bocados. Porém o pior deles ainda está por vir.
Shelley sempre foi uma criança gordinha, mas isso nunca havia sido um problema. Tinha três grandes melhores amigas, Teresa, Emma e Jane, que a fazia muito feliz. Tinha sua vida estruturada em uma família que a completava: seus pais viviam em um casamento invejável.
Assim como a vida real, passamos por fases serenas e felizes em nossas vidas, até que uma coisa comece a dar errado e então tudo dê. Coisas ruins costumam vir todas de uma vez.
A escola já não era mais tão agradável. Suas amigas estavam diferentes, e não era para melhor.

“Por volta dos catorze anos, elas começaram a mudar. E eu, não.”

As mudanças foram físicas e comportamentais. As garotas trocaram suas prioridades e, ao perceberem que Shelley se mantinha a mesma, iniciaram uma série de ações contra a pobre menina. O bullying, inicialmente verbal, alcança proporções devastadoras à Shelley, principalmente quando passa a ser físico. Simultaneamente a esses ataques, seus pais se divorciam, e então Shelley se vê perdida no mundo.

“Nossa aparência afeta nossa personalidade? Ou é nossa personalidade que afeta nossa aparência? Um gato sempre parece um gato? Um rato sempre parece um rato?”

Shelley e sua mãe eram como ratos. Elas sempre procuravam se manter afastadas de brigas, sendo totalmente coadjuvantes de suas próprias vidas. O pai de Shelley some no mundo. Depois do Bullying chegar a gota d’água, a ponto de mandar uma Shelley desacordada para o hospital, Elizabeth Rivers – a mãe – toma a atitude de ir morar com sua filha em um local afastado.
Lá, elas se sentem seguras e podem viver a vida insignificante que acham que estão fadadas a ter. Porém, na noite do 16° aniversário de Shelley, um homem invade a propriedade delas e a partir daí ratos e gatos se confundem.
A estória é muito impactante no início e muito bem escrita por Gordon Reece. Em poucas páginas o leitor já se encontra envolvido na trama, e indignado com o azar de Shelley e Elizabeth. É comovente. Os auges do enredo de Ratos são muito bem escritos. O final é morno, mas a leitura até lá vale a pena.
Ao pesquisar sobre outros livros desse autor lançados aqui no Brasil, não encontrei nenhum outro! É uma pena e acho muito difícil ser lançado ainda, pois Gordon Reece morreu há 12 anos e não tem nenhum outro título marcante que poderia interessar a Intrínseca, em minha opinião. Tive a grande surpresa de ver que esse autor britânico colaborou intensamente na ascensão de Margaret Thatcher ao poder, quando ela ainda era uma candidata. Depois disso, ele se tornou conselheiro dela e até aparece no filme “A Dama de Ferro”.
Finalizando, Ratos é um livro forte, considerado de Psicologia e Conduta, que deixa uma mensagem de uma garota que finalmente começa a se conhecer e ver que é ela quem escolhe se é rato ou gato, apenas ela e mais ninguém.


“Talvez aquilo que não conseguimos compartilhar com os outros seja o que realmente define quem somos.”

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Espíritos de Gelo - Raphael Draccon

Espíritos de Gelo é um livro do brasileiro Raphael Draccon, muito conhecido por sua trilogia Dragões de Éter. A intenção dele não era lançá-lo em seu nome, na verdade, escreveu Espíritos de Gelo para um projeto de uma editora de Portugal, no qual tinha a proposta de reunir mitos urbanos. A ideia era que jovens autores participassem. Eis que é chamado, então, Raphael Draccon.
Deu tão certo que ele foi lançado aqui no Brasil pela Editora LeYa, com mais de uma edição. Pode ser classificado como um livro, mas não é errado dizer que se trata de um conto ou uma lenda urbana, afinal possui apenas 170 páginas repicadas em muitos capítulos.
A trama começa com um homem acordando em uma banheira, sangrando e com muita dor, cercado por três outros caras que são narrados petulantemente pelo pobre refém, que salpica a narrativa em primeira pessoa com uma linguagem divertida para alguém que está sendo martirizado. São feitos diversos tipos de tortura até que ele descubra que, para que aquilo termine, ele deveria se lembrar como havia parado ali.
 - O fato é que você apareceu desmaiado, com um rasgo no abdômen, dentro de uma banheira de gelo... Nós precisamos que você se lembre do porquê.
A partir daí ele inicia uma alternância entre presente e passado em busca da razão que o trouxera àquelas circunstâncias.
O livro é bastante forte e pesado, com traços diferentes de sexo e violência pipocados com alguns palavrões, completamente diferente de Dragões de Éter ou Fios de Prata do mesmo autor. Porém é um diferente bom, pois mostra uma variedade de estilos e prova que Raphael Draccon tem potencial para ir além da fantasia infanto juvenil.

O início faz com que a leitura seja bem rápida por conta da curiosidade de saber as razões para aqueles acontecimentos, até que se chegue à metade e as coisas desacelerem um pouco. Apesar disso, o final é ótimo e nos faz pensar sobre até onde o ser humano é capaz de ir para mostrar superioridade aos outros. Limites físicos e psíquicos, indignação e vingança são alguns dos temas abordados em Espíritos de Gelo, um livro com o título justificadíssimo no desfecho do enredo e muito bem aplicado.

domingo, 22 de setembro de 2013

Sangue no Verão - Mons Kallentoft




É o verão mais quente de todos os tempos na província de Östergötland, no centro da Suécia. A cidade de Linköping sofre com uma bolha de calor, e nas florestas próximas eclodem os piores incêndios jamais vistos na área. Numa manhã, bem cedo, uma garota de catorze anos, é encontrada nua e ensanguentada, no maior parque da cidade. A jovem não se lembra de nada e não existem muitas pistas no local para a inspetora Malin Fors e seu colega Zeke seguirem. Mas quem foi que telefonou e contou onde iriam encontrar a garota e o que, realmente, aconteceu com ela?
Malin, que tem uma filha mais ou menos na mesma idade da jovem, fica muito consternada com o caso. Ao mesmo tempo, outra garota é dada como desaparecida pelos pais e, logo a seguir, faz-se uma nova descoberta numa praia fluvial, fora da cidade. O verão mais quente se transformará, em breve, num verdadeiro inferno.


Mons Kallentoft segue a sua série de estações com Malin Fors como protagonista. A cidade é a mesma, mas Linköping está com uma temperatura totalmente diferente da que encontramos no primeiro livro: estamos no verão. É muito difícil acreditar que, há 6 meses atrás, estava um inverno como nunca tinha sido visto e, agora, o verão mais quente de todos os tempos. Isso pode deixar muita gente insatisfeita, mas é este o ambiente que encontramos ao ler Sangue no Verão.
Inicialmente, devo dizer que o livro em muito me desapontou. Talvez porque eu gostei demais do primeiro, talvez porque o livro é fraco em excesso mesmo, ou até por conta da editora, mas eu não gostei.
Bem, a narrativa que tanto chama atenção no Inverno, se torna mais que maçante no decorrer do Verão, tornando a tarefa de terminar o livro muito cansativa. As comparações devem ser feitas. No Inverno, os traços feitos indicando o frio absurdo deram muito certo, gelando até mesmo o leitor. Porém, o calor que é descrito nesse outro livro é extremamente forçado. Os únicos pontos positivos da narrativa é que Mons dá, novamente, voz ao morto, fazendo com que isso se torne uma marca dele, já que faz com precisão; além disso, as reflexões feitas pelos personagens continuam atingindo o leitor em cheio.
[...] E, então, comecei a entender a entender que quem gritava era eu. Ficou tudo escuro aqui embaixo. Nenhuma dor, mas escuro e vazio. Dois morreram. Um perdeu as pernas. E havia eu. Não me importaria de ter trocado com outros.
O enredo que se forma no início do livro é muito empolgante. Diversas alternativas para o assassino são expostas, o que leva a contradições até aquele que observa os mínimos detalhes em busca da solução do caso. Só Malin para resolver este caso. Porém, o final é desapontador. Com diversas opções, Mons rende-se ao clichê policial.
Eu comentei sobre a editora e como ela contribuiu para que o livro fosse, para mim, um fiasco. A capa é linda, disso não há o que falar. Porém, nas abas do livro, onde se encontra mais um resuminho do enredo da trama em si, está um MEGA SPOILER, que a princípio você acha que é normal. Entretanto, você vai lendo, esperando que tudo o que foi dito na aba se concretize e o livro se inicie, de fato. Só que isso demora mais e mais, só acontecendo no final do livro mesmo. O que é descrito na aba só vem a acontecer quando falta menos de 50 páginas para a última palavra, ou seja, há pouca novidade para quem gosta de ser surpreendido.


Sangue no Verão não exige que o leitor tenha lido Sangue no Inverno, pois não há nenhuma relação que influencie a trama, exceto os personagens e a cidade em si. O livro também não nos dá a vontade de acompanhar as próximas estações, Outono e Primavera, mas, se você leu e gostou de Sangue no Inverno, vale dar uma chance.
Assim, espero que a série volte com a pegada que tornou esse autor um dos meus prediletos e que a editora colabore. Talvez Sangue no Outono ajude a decidir se Mons é mesmo um autor que deve ser consagrado, ou se apenas acertou em cheio em um título. Logo, logo a resenha deste que será o terceiro livro da série, já lançado no Brasil.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sangue no Inverno - Mons Kallentoft


É o inverno mais frio dos últimos tempos. Perto de Linköping, no coração da Suécia, um homem é encontrado morto, pendurado numa árvore. O estado do corpo faz lembrar os rituais de uma antiga religião viking, em que, justamente nessa época do ano, se ofereciam animais e seres humanos aos deuses em troca de felicidade e bem-estar. Mas os tempos são outros. Terá sido mesmo uma oferenda ou tão somente um crime com requintes de crueldade?
Lá do alto, sob as estrelas do céu, uma voz se faz ouvir. A detetive Malin Fors é a única capaz de percebê-la; uma presença que acompanhará de perto seus esforços para reconstruir o crime. Com sua sensibilidade aguçada e o apoio de Zeke, seu parceiro nas investigações, Malin terá de buscar as pistas encobertas pela neve. Sua única certeza é de que o achado irá abalar a vida tranquila da cidade e trazer de volta terríveis segredos há muito escondidos...

Sangue no Inverno é um livro muito diferente dos romances policiais que leio. O autor sueco, Mons Kallentoft, dá voz ao morto de uma forma brilhante. O livro já se inicia com o assassinato de Bengt Andersson. Também chamado de Gandula, Bengt era extremamente sozinho no mundo e apresentava vestígios de insanidade mental, um sujeito digno de pena pela tristeza em abundância que sentia. A morte chega para ele de um jeito curioso, principalmente se tratando de uma cidade tranquila como Linköping, que desperta uma pulga atrás da orelha da polícia local: é enforcado em uma floresta, com alguns cortes pelo corpo, no auge do inverno.


O leitor é levado aos confins da alma de Bengt, que, logo após morrer, já inicia seu discurso e sua reflexão sobre a vida que levou. Essas são as partes mais valiosas do livro. É maravilhoso ouvir o que a vítima diz de tudo aquilo. Ainda mais sendo o Bengt. A inocência, a tristeza e a paciência do personagem fazem com que o leitor anseie para que a fonte do livro fique itálica e que o Gandula assuma a narrativa. São flashes muito bons de ler e que por serem menos frequentes do que a narração em terceira pessoa normal do livro, costumam ser curtos. Porém, a vontade que dá é de reler umas 3 vezes o pequeno trecho de Bengt, tentando desvendar os mistérios de sua vida que ele deixa no ar, tentando juntar as pontas que ele levanta tão de leve.

É claro que doeu. É claro que tive medo. É claro que tentei fugir. Mas ainda assim, bem dentro de mim, eu sabia que já tinha vivido tudo; satisfeito não estava, mas cansado, cansado de me movimentar em círculos, em volta daquilo que me era negado, que eu, no entanto, lá bem no fundo, desejava ter, queria participar Os movimentos das pessoas. Jamais meus movimentos.

E então, a detetive Malin Fors assume o caso com uma equipe muito eficiente. Seu parceiro, Zack, está presente em praticamente todas as investigações que fazem, e, juntos, vão desvendando a trama.
Além de uma excelente detetive, Malin separou-se de Janne, o ex-marido, e vive com a filha Tove, fruto do casamento conturbado entre as duas figuras. A relação deles é respingada de amor e ódio.
É legal ver Malin representando bastante a força feminina nos romances policiais, que costumam ser protagonizados por detetives homens. A constante suspeita que Malin tem de todos os envolvidos e inteligência ajudam muito a resolver o caso.

Todas essas pessoas que olham para o mundo através de pequenas brechas nas portas, de que elas têm medo?

Sangue no Inverno é o primeiro livro da “série Malin Fors”, que percorre as 4 estações. Isso mesmo: Sangue no Inverno, Sangue no Verão, Sangue no Outono e Sangue na Primavera. Assim, o autor é categórico ao detalhar o clima e o ambiente ao redor de seus personagens. No Inverno, por se tratar da Suécia, país bastante gelado, deu muito certo. As descrições da neve e do frio que faz não ficam cansativas e colaboram com a frieza de personagens que vão surgindo com as investigações. É uma combinação perfeita. Ponto para o autor.

Porém, nem tudo são flores. Mons Kallentoft sofre do mal de deixar o bicho pegar de vez apenas no final do livro. Não é nenhum problema horrível e, nesse primeiro livro, ele não deixou a trama ficar maçante até chegar às últimas páginas, porém uns e outros podem ficar insatisfeitos com um livro que deixa o desfecho para o extremo final. As últimas 100 páginas são frenéticas, você passa voando, porém elas vão passando e passando e passando... até que você pensa que o livro vai acabar sem terminar, e quando você já está beirando à loucura de preocupação de um mau fim para um enredo tão bem feito, ele se termina, com chave de ouro. “Eu queria um pós-conclusão melhor”, “eu queria ter mais detalhes disso”, “eu queria entender melhor isso aqui”. Esses são pensamentos que vão passar em sua cabeça quando você fechar Sangue no Inverno, porém não estragam de forma alguma o livro em si. Só deixa um gostinho de “quero mais 20 páginas”.


Muito recomendado a leitura de Sangue no Inverno, pois é um livro diferente em vários sentidos. Conhecer a vida de Bengt e entender sua mente é obrigatório para qualquer um que goste de uma trama que faça se indignar com a geleira que todo ser humano pode guardar dentro de si.

sábado, 27 de julho de 2013

"O Nome do Vento" pode virar uma série de TV

Pelo que diz o site Deadline, a trilogia: "As Crônicas do Matador do Rei", ganhará uma adaptação para a TV.

O que se sabe até agora é que uma parceria do New Regency Productions com a 20th Century Fox pretende transformar o primeiro livro da trilogia, O Nome do Vento, em uma série, tendo como diretores responsáveis: Eric Heisserer, Arnon Mulchan, Andrew Plotkin, Brad Weston e Robert Lawrence. Pressupõe-se, assim, que os próximos livros, incluindo o que ainda esta sendo escrito, também serão adaptados para as telas, porém, como sabemos, nem isso é possível afirmar, afinal, diversos motivos podem acarretar num cancelamento. 

A adaptação, como a maioria delas, pode causar certo receio aos fãs da saga, já que é complicadíssimo passar do livro às telas, e como disse mestre Elodin, em "O Temor do Sábio" (segundo livro da trilogia): "Toda tradução é imperfeita.", mas se for fiel e seguir a qualidade de Rothfuss, a adaptação pode ser incrível e ter muito sucesso, ainda que tenha suas "falhas na tradução". Por isso, é recomendável que não se crie expectativas boas e nem ruins, vamos ver o que virá!

Aos que não conhecem, "As Crônicas do Matador do Rei" é o titulo da trilogia escrita por Patrick Ruthfuss, onde cada livro trata de um dia da narração do protagonista, Kvothe, sobre sua fabulosa vida. A saga já tem dois livros e suas respectivas resenhas em nosso site, os livros são: "O Nome do Vento" (veja a resenha aqui) e "O Temor do Sábio" (veja a resenha aqui). Veja mais dos livros no site da Editora Arqueiro.

(http://zusacre.deviantart.com/art/Kvothe-344973268)








O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss

Sinopse: 
O temor do sábio dá continuidade à impressionante história de Kvothe, o Arcano, o Sem-Sangue, o Matador do Rei.
Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens.
Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos.
Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver – até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos.
Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.

(http://lunnarisaku.deviantart.com/art/The-Name-of-the-Wind-344326468)
O Temor do Sábio é o segundo livro da trilogia: "As Crônicas do Matador do Rei" e trata sobre o segundo dia na pousada Marco do Percurso, onde Kvothe segue contando sobre sua vida já na Universidade e o que as fantásticas aventuras que se seguem quando ele é praticamente obrigado a abandoná-la por um tempo.
"Estou-lhe dando a minha história, com todos os pedaços imundos intactos. Todos os meus erros e idiotices abertamente expostos à luz." - Kvothe
O primeiro dia termina nos deixando mergulhados em mistérios e o segundo tem seu inicio logo em seguida. Se em O Nome do Vento, Rothfuss consegue fazer os leitores se apaixonarem pelo magnifico universo que criou, em O Temor do Sábio, ele nos faz perceber que aquele primeiro dia era só um prólogo, comparado com a imensidão e maravilhas que há após ele. A narrativa continua detalhista e cativante, mesmo com algumas partes longas, o ritmo chega a ser mais rápido que o do livro anterior, as quase mil páginas passam a ser apenas um detalhe.

Kvothe continua impulsivo, orgulhoso, obstinado e... humano. Enxergamos suas falhas, suas loucuras e entendemos a vontade de ir atrás do Chandriano, conhecê-lo mais, aprender mais e vingar-se. Notamos que seu passado ainda o atormenta muito e seu presente, algumas vezes, é movido por seu orgulho. Na Universidade, pesquisa como pode, já não impressiona tanto quem esta ao seu redor como impressionava quando chegou, mas ainda tem seus feitos incríveis. Incríveis, porém, muitas vezes, errados. Por ser tão impulsivo, Kvothe causa problemas sobre problemas, usa sua inteligência para fazer besteiras. Kvothe se aproxima do leitor nos detalhes mínimos, ele vai além das expectativas ao mesmo tempo que é comum, que é humano e, por isso, também erra. Os problemas que causou o obrigam a deixar a Universidade por um tempo e neste ponto começam as melhores partes do livro.

Com a ajuda de um mecenas, Kvothe deixa a Universidade e vai para Vintas, com o intuito de trabalhar para um rei, conseguir algum dinheiro, ter novas experiencias e tentar descobrir mais sobre o Chandriano. Kvothe enfrenta obstáculos desde a viagem de ida, até a viagem de volta. Tem que se acostumar com a vida na corte, com a inveja de nobres, com a desconfiança de todos, mas se mostra sagaz, conseguindo lidar com as adversidades. A amizade que criou com este rei o leva à novas aventuras e a cada linha que passa, maior é o desejo de descobrir como Kvothe lidará com as situações.

É possível citar os eventos na floresta, desde o combate com os ladrões até o encontro com Feluriana, podemos nos lembrar do mundo mágico de Feluriana, do mundo humilde dos companheiros de Kvothe na viagem ou do mundo dos jogos na corte, mas o que não podemos deixar de lembrar é o mundo dentro do mundo. O Ademre. Local com uma cultura incomum e fascinante, que proporciona a Kvothe um aprendizado inesquecível. Apenas gestos e sentimentos poderiam definir a singularidade complicada dos ademrianos. As partes que nos obrigam a ir além da leitura e sentir os acontecimentos, em sua maioria, estão no período que Kvothe passou no Ademre.

Os personagens secundários crescem junto com o livro, junto com Kvothe e junto com a história. As amizades estão mais fortes, os mistérios crescem cada vez mais e o conjunto da obra, acaba nos entristecendo, pois ainda não há previsão de lançamento para a continuação.

O livro é uma ponte cuidadosamente moldada que nos instiga a prosseguir e desvendar o fim, para aqueles que se animaram muito com o gigantesco prólogo que o primeiro livro se torna após descobrirmos essa maravilhosa ponte. A ponte satisfaz e vai além das expectativas, acaba nos deixando para chegarmos no final, que promete ser mais grandioso do que tudo que vimos até aqui. Agora, só nos resta: "cuspir para dar sorte" e esperar.
“Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.” - Threipe, pág 316

O Menino do Pijama Listrado - John Boyne


Sinopse 
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os Judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. 

Imagine viver bem no meio do holocausto sem saber que está nele, nem o que ele é ou se é bom ou ruim. Ler o Menino do Pijama Listrado é ler um breve, mas riquíssimo, relato de um ocorrido trágico durante o nazismo, só que filtrada pelos olhos de um menino de oito anos.

O título do livro já transmite boa parte da inocência que vamos ver ao lê-lo. O Menino do Pijama Listrado é uma história narrada em primeira pessoa por Bruno de oito anos durante o holocausto. E para não estragar sua leitura, atente-se que sobre o enredo isso é tudo que precisa saber.

John Boyne coloca tudo que pode acontecer com o filho de um general nazista em palavras simples e de uma doce inocência. Bruno, nada mais é que uma criança que vive em uma situação demasiada incomum. Não deixando de explorar, questionar e analisar o mundo a sua volta, ele faz pequenas descobertas sobre o seu mundo que se transforma a cada momento sem que ele possa fazer nada. Descobertas essas que mudariam drasticamente o destino dele e de sua família.

O ponto alto do livro é ver como o protagonista faz a analise de si mesmo, uma analise verdadeira, sem presunções ou julgamentos. Também é assim que ele analisa seus parentes que ama e a pessoas a sua volta.

Preparem-se para ler a história de uma amizade tão inocente que mexe até com nossas relações atuais. O homem nasce livre quando nasce e é cercado por todos os lados, por sua amargura e rancor que anda destruindo o mundo, mas mesmo assim duas crianças mostram que a religião, a politica e as guerras dos homens nunca serão mais fortes que uma amizade de verdade.







sexta-feira, 26 de julho de 2013

O teorema Katherine - John Green

"Quando se trata de garotas (e, no caso de Colin, quase sempre se tratava), todo mundo tem seu tipo. O de Colin Singleton não é físico  mas linguístico  ele gosta de Katherines. E não de Katies, nem Kats, nem Kitties, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kates, nem - Deus o livre - Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E. Já teve dezenove namoradas. Todas chamas Katherine. E todas elas - cada uma, individualmente falando- terminaram com ele."

A estória é contada do ponto de vista de Colin Singleton, que é considerado por ele mesmo um ex prodígio (embora seja extremamente inteligente) e é viciado em anagramas. Colin só tem um amigo, Hassan, um gordinho hilário que estabiliza a chatice de C. durante todo o livro. A estória se inicia logo após Colin levar o pé na bunda da 19º Katherine, diante da incrível depressão de seu amigo Hassan decide leva-lo para uma viagem sem rumo cujo objetivo é fazer Colin se esquecer de seu novo fracasso amoroso.
"Namoros, no fim das contas, acaba, de um só jeito: mal. Se você pensar bem, e Colin sempre fazia isso, todo relacionamento amoroso termina ou em (1) rompimento, (2) divórcio ou (3) morte."
É durante essa viagem que Colin tem o que ele chama de um momento Eureka, com isso ele poderá explicar o porque das Katherines e talvez provar para si próprio que ele não é um fracasso total por não ser mais um prodígio. É assim que Colin decide criar um teorema. O teorema Katherine.

John Green criou personagens complexos e verdadeiros, criou situações reais e profundas. Com sua incrível habilidade de brincar com as palavras e ao mesmo tempo entreter e divertir ele mostrou mais uma vez que sabe escrever, e que escreve bem.
"Chorar é algo a mais: é você mais as lágrimas. Mas o sentimento que Colin carregava era um macabro choro ao contrário. Era você menos alguma coisa."
O livro não me surpreendeu, me deixou até um pouco decepcionado. O final é um tanto previsível e acaba ficando algumas pontas soltas. A estória apesar de intelectual, por ser do ponto de vista de um Colin, não é complexa. John utilizou de um artificio que eu também notei na Culpa é das estrelas, o personagem (seja ele o principal ou não) quer deixar a sua marca, quer fazer algo extraordinário, quer ser lembrado. E isso é extremamente verdadeiro, morremos de medo de sermos esquecidos e todos nós queremos marcar alguém ou algo.
"Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário?"
A estória segue simples e calma durante todo o livro, não tendo nenhuma reviravolta, e é super indicado para quem quiser pensar um pouco sobre os relacionamentos e sobre as ideologias humanas. O livro não entrou para os meus favoritos mas com certeza é um livro que lerei novamente algum dia.



O Hipnotista - Lars Kepler

Sinopse:
O massacre de uma família nos arredores de Estocolmo abala a polícia sueca. Os homicídios chamam a atenção do detetive Joona Linna, que exige investigar os assassinatos. O criminoso ainda está foragido, e há somente uma testemunha: o filho de 15 anos, que sobreviveu ao ataque. Quem cometeu os crimes o queria morto: ele recebeu mais de cem facadas e está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna só vê uma saída: hipnose. Ele convence o Dr. Erik Maria Bark – especialista em pacientes psicologicamente traumatizados – a hipnotizar o garoto, na esperança de descobrir o assassino através das memórias da vítima. É o tipo de trabalho que Bark jurara nunca mais fazer: eticamente questionável e psicologicamente danoso. Quando ele quebra a promessa e hipnotiza o garoto, uma longa e aterrorizante sequência de acontecimentos tem início.

O Hipnotista é o livro de estreia de Lars Kepler (pseudônimo de Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, um casal sueco). Ingressaram na lista que só faz crescer de autores suecos no estilo romance policial: Stieg Larsson, Camilla Läckberg, Mons Kallentoft, entre outros. Chegou ao topo das listas de mais vendidos de 8 países, considerado uma sensação internacional.
Após o massacre da família Ek, no qual apenas Josef Ek, de 15 anos, sobrevive cruelmente dilacerado, esfaqueado mais de cem vezes, Joona Linna, detetive do caso, percebe a necessidade de uma intervenção médica bastante peculiar: a hipnose. Altamente questionável, a hipnose é o "estado semelhante ao sono mas com vívida consciência e grande receptividade". Assim, Joona entra em contato com Erik Bark, um hipnotista que há algum tempo prometeu não se envolver mais com esse tipo de procedimento, e o convence a ajudar no caso, hipnotizando Josef, que se encontra em péssimo estado, em busca de informações mais concretas.

"– Vou começar a contagem regressiva agora, e, a cada número que ouvir, relaxará um pouco mais. Você irá se sentir tomado por uma grande calma, terá consciência de como tudo ao seu redor é agradável." Pg. 66
Ao quebrar sua promessa, Erik desencadeia a ira das pessoas a quem havia prometido nunca mais se envolver com a hipnose. Pessoas que apostam alto, que arriscam tudo. Pessoas que são perigosas.
Assim a trama segue e (como todo o clichê policial) a resposta está no passado. Porém, um bom diferencial deste livro é que não se foca no inspetor do caso, Joona Linna, mas sim no Hipnotista em si. Diferentemente da trilogia Millenium, por exemplo, o detetive não está o tempo todo misturando as vidas pessoal e profissional. Quem está é o Hipnotista e sua esposa, Simone, que se encontram em um casamento que anda na corda bamba.
Por isso, a leitura se torna bem mais interessante, pois o leitor se pega ávido por detalhes do passado de Erik.
Outro ponto positivo para O Hipnotista é o modo que ele foi escrito. Os capítulos são curtos e mudam de um lugar para outro, de um personagem para outro, com rapidez, mas não sem deixar uma pulga atrás da orelha de quem está lendo. Ele varia entre Joona, Erik, Simone (esposa de Erik) e as vezes vai com outros personagens que vão surgindo.


Quem leu O Hipnotista tem opiniões diversas a respeito do mesmo. Uns amaram, outros acham que o autor (ou autores, você escolhe) se perdeu ao querer mostrar vários mistérios. O que não percebem é que todos fazem parte de um único mistério, basta ter o olhar afiado e a paciência para entendê-lo. O motivo disso é a falta de entendimento das pessoas que o leram, ou uma certa ingenuidade ao ler. Isso, porque O Hipnotista não é um livro que, em suas 480 páginas, mantém o mesmo enigma do começo ao fim. Assim, alguns leitores se descontentam quando a trama muda, não conseguindo perceber o quão maior é o novo mistério. Eu estou no grupo dos que amam, e me encontro até hoje apaixonado pelo enredo d'O Hipnotista.

Foi uma estreia excelente, o tema da hipnose é muito bem trabalhado com o decorrer do livro.
Destaque para as cenas vitais (aquelas que, para os fãs, dividem o livro em antes e depois, sabe?). São escritas maravilhosamente bem, ficando gravadas na memória. O Hipnotista é, certamente, um livro que não se esquece.

Devido ao enorme sucesso internacional e o alvoroço gerado pelos topos alcançados em praticamente todos os países em que foi lançado, O Hipnotista ganhou sua adaptação cinematográfica. 

O filme não chega nem aos pés do livro (novidade!). Acho que Lars Kepler deixou-se influenciar pelas críticas que deve ter recebido por não focar na vida de Josef Ek durante o livro todo, e, por isso, tentou relacionar coisas que no livro pouca relação tinham. Resultado: o filme não teve muito sucesso, e ficou lá na gringa mesmo, o Brasil que é bom, nada. Para assistir, legendado em português, só se for pela internet mesmo. É uma pena, mesmo não sendo bom, o filme divulgaria o livro e poderia gerar algo a mais, talvez uma continuação da história de Bark, quem sabe? Apesar de tudo, a atriz que faz o papel de Simone é muito boa, e, como a personagem é bastante sentimental e forte (óbvio, ela é mãe), teve bastante espaço para mostrar o seu trabalho. Segue o link do trailer no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ocnq1J2N4yQ

Bem, espero que você leia O Hipnotista e comente aqui a sua opinião, se amou ou odiou. É mais do que recomendado por mim.

'Sal' romance nacional de Leticia Wierzchowski


Sal é a história de duas mulheres que reconstroem a trajetória da família, que vive aos pés do farol há mais de 60 anos. A matriarca Cecília reescreve o passado tricotando um tapete. Na teia, elege o branco para representá-la e atribui uma cor para cada um de seus seis filhos, o falecido marido e um grande amigo.Leia um trecho de Sal clicando aqui

'Vidas Provisórias' é o novo livro de Edney Silvestre





Edney Silvestre, premiado escritor e repórter, lança romance que fala sobre o 
exílio e do cotidiano de imigrantes brasileiros fora do país, vítimas de deslocamentos forçados em dois momentos marcantes da história brasileira: a ditadura militar e a implementação do Plano Collor.

O livro chega as prateleiras em 13 de agosto, pela Intrínseca, para ler um trecho de Vidas Provisórias clique aqui

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Os contos de Beedle, O Bardo. - J.K Rowling


Os contos de Beedle, O Bardo faz parte da coleção adjacente criada por J.K Rowling para completar a série. O livro é citados no ultimo livro da saga, quando Hermione o recebe como 'herença" de Alvo Dumbledore. Contendo 5 contos e cada um comentado por Alvo Dumbledore o livro é voltado para as crianças bruxas.

Depois de sermos introduzidos ao contos dos 3 irmãos no livro/filme a vontade de saber quais outros contos existem no mundo bruxo cresceu em cada coração potterhead. De um jeito leve e cheio de profundidade J.K saciou a nossa vontade com mais 4 contos inéditos, e ainda nós introduziu aos pensamentos de Alvo Dumbledore. 

Recheado com ilustrações e uma ótima edição contendo apenas 125 páginas torna o livro é perfeito para uma leitura de fim de tarde. Após terminar você terá mais conhecimento sobre o mundo mágico e não mágico, sendo que todos os contos podem ser adaptados para a nossa realidade. É extremamente necessário refletir sobre qual é a mensagem que cada um quer transmitir. 






Animais Fantásticos & Onde Habitam – J. K. Rowling



Sinopse
Animais Fantásticos e Onde Habitam é direcionado para aqueles que leram a obra 
Harry Potter. Falando sobre os animais mágicos (e também fungos e vermes), o livro é um estudo da magizoologia, termo cunhado por J. K. Rowling para designar aquelas criaturas que possuem poderes que uma criatura normal não possui. Esses animais incluem os dragões, as fadas, as acromântulas e outros, do modo visto por J. K. Rowling. As fadas, por exemplo, não são aquelas com varinhas, mas são seres pequenos e estúpidos com poder mágico suficiente apenas para caçar suas presas.

Este é sem dúvida o livro mais engraçado que J. K. já escreveu dentro do mundo mágico de Harry Potter. É um prato e tanto para os fãs da saga que anseiam por mais informações do mundo bruxo.

O livro é escrito pelo ponto de vista do magizoologista  Newt Scamander que descreve as criaturas do mundo mágico com riqueza em detalhes. Newst é um apaixonado pelas criaturas mágicas, trabalha para o Ministério da Mágia e viaja o mundo para estudar os animais do mundo bruxo. Foi convida por um amigo para escrever o livro e então Scamander viajou para centenas de países em cinco continentes pesquisando sobre animais fantásticos e seus habitats.

O volume que temos em mãos, dentro da história, pertence a Harry, em diversas páginas encontramos comentários escritos por Rony Weasley, Hermione Granger e o próprio Harry. Todos esses fazendo relação a alguns acontecimentos ao longo da série como o encontro do trio de bruxos com Aragogue, a acromântula que vivia na floresta de Hogwarts.

Além da descrição detalhada de diversas criaturas mágicas, o autor também explica como acorreu a classificação dos animais do mundo mágico. Para quem conhece o mundo de Harry Potter sabe da variedade de espécies, além dos bruxos outras criaturas também possuem fala e racionalidade o que torna toda essa classificação complexa, intrigante e ainda sim uma aventura divertida.

Esse livro pode ser lido em um curto espaço de tempo como qualquer livro de história ou ser usado como livro de consulta para quem está lendo a séries de livros de Harry Potter. Ser breve é o pior ponto do livro, mesmo sabendo da dificuldade de criar aproximadamente 50 espécies e desenvolver uma história de surgimento para cada uma delas todos que lerem vão querer mais, assim como todo fã sempre quer.

domingo, 21 de julho de 2013

O Nome do Vento - Patrick Rothfuss


Sinopse:
Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. 
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame. 

(http://ssglushakov.deviantart.com/art/Through-the-winter-329105964)

O Nome do Vento é o primeiro livro da trilogia: "As Crônicas do Matador do Rei" e conta a fascinante vida de Kvothe que se apresenta da seguinte forma:
"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir. [...] Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar. Vocês devem ter ouvido falar de mim..."
E como não ouviríamos após tantas indicações, meu caro Kvothe? Não são só autores renomados que se envolvem e pensam no que virá a seguir nessa história instigante, é praticamente impossível à todos terminar a leitura e não se perguntar quais serão os próximos grandiosos feitos deste homem.

Numa introdução longa, porém necessária, antes de Kvothe começar a contar de seu passado glorioso, Rothfuss nos faz entrar num mundo novo, nos apresenta a pousada Marco do Percurso, mostra a simplicidade de uma das tantas cidades deste mundo e nos faz querer descobrir o que há de tão magnifico no silêncio do homem de cabelos vermelhos como chamas, que se presta meramente a ser o dono de uma pousada. Lá Kvothe se esconde, mas se esconde do que? Lá ele adotou um nome falso. Lá, seu nome é Kote, vive com seu aprendiz Bast, e aparentemente é só mais um homem comum, como aqueles que vão a sua pousada. 

Tudo corria normalmente até a chegado d'O Cronista até aquele local; ele vinha com um objetivo. Após alguma insistência ele consegue o que tanto deseja: escrever sobre o misterioso homem que é uma lenda viva, mas Kvothe tem suas condições, uma delas é contar toda sua história em três dias. Então, nesse ponto o livro é dividido em dois espaços de tempo: presente e passado. Através da narração de sua vida, Kvothe começa nos levando à infância que tinha tudo para ser das melhores numa trupe itinerante e que é completamente destruída por um evento trágico, onde perde os pais, tornando tudo complicado para aquele garoto assustadoramente inteligente. Forçado-o a se tornar um homem, tomar conta de si mesmo, sobreviver com as chances que consegue. Após se tornar órfão, Kvothe vai atrás de um sonho; ele decide ir a Universidade e se tornar um Arcano, aprender o nome de todas as coisas, mas em primeiro lugar, o nome do vento. Nessa jornada, Rothfuss nos faz sentir as dores, as aflições e as alegrias de Kvothe, pensar com ele, animar-se pelos planos incríveis, esperar que a sorte e que Tehlu estejam com ele, a cada novo momento e a cada nova dificuldade. Em sentimentos, as vezes o leitor é o próprio Kvothe.

Apesar deste protagonista extremamente cativante, conseguindo fazer os leitores torcerem por ele, mesmo quando esta fazendo algo que julgamos errado, não é só ele que merece destaque nesta trama. Os outros personagens que compõe o livro são marcantes, bem construídos e ganham um espaço merecido. Seus sentimentos, suas personalidades, além da maravilhosa ambientação, os tornam ótimos personagem.

Kvothe é um gênio, um "notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame", um personagem que faz sua história ser encantadora antes mesmo de ser lida e o livro que conta primeiro dia da narração de suas histórias é um livro inteligente, belo, que implora ao leitor que mergulhe nele, com a promessa que não o decepcionará, e quando se mergulha nesse livro, quando se luta e vive a história... o livro cumpre a promessa.

É como se todo mundo contasse uma história sobre si mesmo dentro da própria cabeça. Sempre. O tempo todo. Essa história faz o sujeito ser quem é. Nós nos construímos a partir dessa história.”
— Bast, página 643


Quadribol Através dos Séculos – J.K Rowling



Sinopse
Se você algum dia quis saber como surgiu o pomo de ouro ou por que o time dos 'Vagamundos de Wigtown' (Wigtown Wanderers) tem a estampa de um cutelo de açougueiro no uniforme, você precisa ler 'Quadribol através dos séculos' (Quidditch throught the ages). Esta edição limitada é uma cópia do exemplar guardado na Biblioteca Escolar de Hogwarts e consultado por jovens fãs do quadribol quase diariamente.

Este livro que se aprofunda na história magica de Harry Potter fala sobre o surgimento e o desenvolvimento do Quadribol, o mais famoso esporte entre os bruxos. Não parece ter sido escrito pela nossa adorável J.K Rowling, mas sim por algum fanático pelo esporte e é isso que demonstra tamanho talento da escritora.

Caso o leitor não tenha apreciado os livros da série e somente os filmes não há problema algum. O livro é completamente fora do enredo de Harry Potter, também por ter sido escrito bem antes da vinda de Harry e seus amigos ao mundo bruxo.

O livro, por ser um material didático na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts vem
bem explicado e não deixa muitas lacunas abertas para quem tem sede por informações do mundo bruxo. A todo o momento há algumas tiradas de humor, o que particularmente, só é notado para quem conhece o mundo bruxo.

Na ficção do mundo de Harry Potter, o livro é escrito por
 Kennilworthy Whisp uma expert em Quadribol. Também indo além, o livro fala sobre a evolução das vassouras, o que se torna uma parte muito interessante do livro já que podemos acompanhar apenas parte dessa evolução nos livros da série de Harry Potter.

O livro agradará a todos os públicos que conheçam o mínimo e o máximo de Harry Potter, mesmo sendo um livro de estudos no universo mágico, é uma leitura simples e divertida, podendo ser lido em poucas horas.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sob a Redoma - Stephen King



SinopseEm um dia como outro qualquer em Chester’s Mill, no Maine, a pequena cidade é subitamente isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões explodem quando tentam atravessá-lo e pessoas trabalhando em cidades vizinhas são separadas de suas famílias. Ninguém consegue entender o que é esta barreira, de onde ela veio e quando — ou se — ela irá desaparecer.
 Em Sob a Redoma Stephen King, o rei do terror, nos mostra o que é sentir pânico lendo um livro. Sob a Redoma é viciante, a leitura decorre facilmente e a única coisa que vai te impedir de rascar algumas páginas é a vontade de continuar lendo.

Em um dia comum na pequena cidade de Chester Mill, ao sul do Maine, um campo de força invisível surge sem que ninguém saiba de onde veio nem para onde vai. Essa é a premissa do livro; pessoas confinadas em uma cidade pequena sob a regência de um segundo vereador maníaco por poder, uma jornalista petulante que não tolera ser censurada e um ex-comandante do exercito.

Vemos o que acontece quando se deixa toda uma cidade, mesmo que pequena, desligada para o resto do mundo. As pessoas tentam viver suas vidas normalmente, mas a normalidade ficou do lado de fora da redoma. Aqui dentro não há vez para a fraqueza.

Chester Mill é governada por três vereadores, um deles, Big Jim, é o típico hipócrita religioso fanático, politico desonesto e desvairado por poder. Não deixa nada ficar entre ele e a glória de reger sua cidade e ser conhecido para sempre como o homem que governou da cidade que passou pela a maior crise da história. Tendo um grande poder de persuasão, Jim domina toda uma cidade com seu discurso religioso e fascista, os poucos que conseguem escapar de seu véu de mentiras e altivezes estão sujeitos a serem considerados traidores.

Nenhuma lei dos EUA pode ser mantida debaixo da redoma, aos poucos todo o vestígio de civilização vai se desfazendo para deixar no lugar uma constante competição por poder.
Sob a Redoma é cheio de maquinações, artimanhas e armações bem planejadas, ninguém está livre de ser vítima da policia local, que agora é um bando de jovens recrutados as pressas para manter o “controle” da cidade.

O melhor do livro é que não há para onde correr. Vilões e mocinhos estão mantidos no mesmo lugar quase sem poder se esconder. Os problemas ambientais começam a surgir, falta de alimentos e o inicio da racionalização é necessária. Sobreviver sob a redoma se torna algo dificílimo quando o homem no poder é quase um ditador que faz o que bem entende.

Julia Shumway é uma repórter audaciosa que trabalha duro no seu jornal, o Democrata, para manter a população informada sobre as armações de Big Jim, sofre duras censuras do atual governo de Chester Mill. Junto do ex-comandante do exercito Dale Barbara e o auxiliar medico Rusty, que atualmente é tudo que a cidade tem como médico, eles tentam descobrir o que teria causado a redoma e se ela irá sair algum dia.

O único jornal sofre com a censura e os únicos heróis só devem se reunir na calada da noite, caso contrario podem ser julgados e condenados a serem mortos em praça publica. Nado do que se vê é ouve é totalmente seguro. O poder aqui dentro se modificou a parâmetros que nenhum morador poderia imaginar. Então, você está pronto para ficar Sob a Redoma?
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

A resposta - Kathryn Stockett



  • Ninguém pode solicitar que uma mulher branca amamente em alas ou quartos onde haja homens negros.
  • Será considerado ilegal que  um branco se case com qualquer pessoa que não seja branca. Qualquer casamento que viole esta seção será considerado nulo.
  • Nenhum barbeiro de cor poderá trabalhar para mulheres ou meninas brancas. 
  • O oficial encarregado não poderá enterrar qualquer pessoa de cor no solo usado para o enterro de pessoas brancas.
  • Livros não deverão ser trocados entre escolas de brancos e escola de gente de cor, mas deverão continuar sendo usados pela raça que primeiro os utilizou.


Pag.228

A cidade é Jackson, Mississípi. O ano, 1962. A segregação racial está em alta e homens são espancados por apenas utilizarem banheiros "brancos". 
Empregas negras cozinham, embora as mesmas não possam se sentar a mesa na hora do jantar. Empregadas negras limpam o seu banheiro, embora as mesmas não possam utiliza-lo. Empregadas negras criam e cuidam dos seus filhos, embora sejam consideradas burras e algumas vezes taxadas de ladras. Este é o cenário onde A resposta é introduzido. Seja bem vindo.

A estória é contada através de 3 personagens principais:

Aibileen, uma empregada negra que já cuidou de 17 crianças brancas e que  já criando sua 18º, Mae Mobley Leefort. Cristã e astuta ela teve que largar os estudos cedo para começar a trabalhar, mas isso não a fez menos inteligente, pelo contrario. Aibileen adora ler e escreve suas orações todos os dias, uma dica que ela aceitou de bom grado de sua ultima professora. 
Porém algo está diferente em Aibileen, seu filho morreu enquanto trabalhava para seus patrões brancos e algo dentro dela não é mais o mesmo, ela reconhece que uma faísca foi acessa e que ela não irá apagar com tanta facilidade.
"Não demorou para eu ver que uma coisa em mim tinha mudado. Uma semente amarga tinha sido plantada dentro de mim. E eu não me sentia mais tão mansa." pag 9
Aibileen foi trabalhar para a familia Leefort depois de 5 meses de luto. Elizabeth é sua patroa branca, uma mulher influenciada por sua melhor amiga, Hilly Holbrook, e que não demonstra muito amor por sua filha, Mae Mobley. Por isso Aibileen  sempre tem que lembra-la que ela é uma criança boa, importante e esperta.

Minny, uma empregada negra que não sossega em um emprego só, atribua isso a sua língua grande. Cristã e melhor amiga de Aibileen ela é conhecida por ser uma cozinheira de mão cheia. Casada com um marido violento e mãe de filhos de personalidade áspera ela acabou de ser demitida da casa da Sra.Walters por sua filha Hilly Holbrook. E o pior, Minny agora está mal falada na cidade pois não somente ela foi demitida mas também Hilly espalhou pela cidade que Minny é uma ladra.

Skeeter, uma jovem branca que acabou de se formar na universidade e está de volta a Jackson. Melhor amiga de Hilly e Elizabeth e pressionada ao máximo por sua mãe para arrumar um marido, skeeter não vê a hora de sair de Jackson. Ao contrário das mulheres de Jackson, skeeter não sonha em casar e ter filhos, ela nunca nem namorou. Julgada por sua mãe ela sente saudade de sua empregada, Constantie, que sumiu depois que skeeter voltou da faculdade e a qual sua mãe não lhe diz nada, sendo assim ela tenta extrair informações sempre que possível. O seu verdadeiro sonho é ser escritora, escrever um livro e trabalhar em uma grande editora. Foi seguindo esse sonho que skeeter mandou seu currículo enquanto estava na faculdade. É quando skeeter nem mais se lembrava que a resposta chegou trazendo consigo o sonho dela.

E é assim que a historia de duas negras se cruzam com a de uma branca, uma mistura que faria qualquer madame do Mississípi torcer o nariz. Skeeter quer escrever um livro, mas não qualquer livro, ela quer contar como é a vida de uma empregada negra, os lados positivos e negativos. Mas não será nada fácil, a editora quer que ela recolha depoimentos de 12 negras. E se já é difícil convencer uma, skeeter nem quer pensar em como conseguirá induzir tantas empregadas para contribuir com o seu livro. Ainda mais com Hilly querendo implementar a lei que obriga todas as casas brancas a terem um banheiro separado para empregadas de cor. E com sua mãe correndo atrás dela para que ache logo um homem que a sossegue. Skeeter terá que ser muito cuidadosa com tudo que está escrevendo e sobre tudo que está falando, se descobrirem que uma mulher branca anda se engraçando com gente colorida a coisa ficará preta para ambos os lados.

É com muito humor e ao mesmo tempo seriedade que Kathryn Stockett escreveu uma estória que facilmente pode ser confundida com historia. Citando fatos reais, como os ataques da KKK e a morte do presidente Kennedy, você irá se perder entre a realidade e a ficção. 

O livro deu origem ao filme Histórias Cruzadas, seguindo fielmente o livro. É altamente recomendado que o filme seja visto, e de preferencia depois de ler o livro.

Elantris - Brandon Sanderson


 




Sinopse 




Brandon nesse livro consegue mesclar o misticismo e as crendices de um povo às fortes questões sociais e politicas de um reino em declive. A cidade habitada por deuses, Elantris, é a maior cidade do reino de Arelon. Encantada e tão poderosa, a cidade passa por um terrível, e misterioso, cataclismo. Seus moradores, até então magníficos, poderosos e dotados de características divinas, se tornam criaturas lascivas, sujas, quase mortas, vivendo em subsistência até o momento. Tudo isso ocorrera há 10 anos, a cidade de Elantris é agora uma sombra sobre Kae, a segunda maior cidade do reino.

A riqueza desse livro está em boa parte por seus personagens tão bem pensados e construídos ao longo da narrativa. Destacando-se três deles pela qual a história se desenvolve; Raoden
, Sarene e Hrathen.

A história se inicia em Kae, quando o filho do rei, Raoden, acorda transformado pela Shaod
em um Elantrino. Antes do decline de Elantris, a Shaod era considerada uma benção que podia transformar qualquer um em ser divino, dando-lhe poderes. Na atualidade qualquer um tocado pela Shaod se torna um desses Elantrinos mortos-vivos amaldiçoados. Assim que o rei sabe da atual situação de seu filho o joga em Elantris, onde todos os tocados pela a Shaod são mantidos.

Nesse mesmo contexto chega à Kae a futura esposa de Raoden, Sarene que descobre da “morte” de seu marido antes mesmo de conhecê-lo. Sarene dentro do livro é um dos personagens mais bem elaborados, ela foge completamente aos seguimentos femininos da época. Faz uma verdadeira revolução feminina na corte de Kae. Sempre interessada por politica, Sarene é a pior adversaria politica de Hrathen.

Alto-sacerdote da religião Shu-Dereth, Hrathen chega ao reino de Arelon para converte-lo à sua fé no prazo de 3 meses antes que o estado teocrático de Fjorde precise conquistar o reino de Arelon a força.

Nesse senário Hrathen e Sarene se confrontam em diálogos políticos levando ambos personagens a suas melhores formas de diplomatas. Tanto um quanto outra sabem do perigo de Elantris e seus moradores, o que não diminui a intensidade dos confrontos deles dentro e fora da corte.

Raoden, enquanto isso, trancado em Elantris, luta para estabelecer uma vivência melhor na cidade fantasma dominada por grupos de elantrinos cruéis e ditadores. Na cidade faz diversas descobertas sobre a história de Elantris e de uma possível causa para a transformação da cidade e de seu povo.

Cheio de politica e empasses, Sanderson nos da uma aula sobre as diversas formas que um reino pode ser conquistado além da força bruta. No caso, a religião Shu-Dereth que se espalha como uma praga derrubando reis e colocando sacerdotes no lugar. O livro é uma aventura do começo ao fim sem perder o ar de suspense que nos intriga até a ultima página.

Elantris é um livro repleto de reviravoltas, nada do que se espera acontece, ao menos não quando se espera. É uma ótima opção para quem não está muito acostumado com o gênero de fantasia, pois se mostra mais entre o mundo real do que o mundo fantástico.

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