Espíritos de Gelo é um livro do brasileiro Raphael Draccon,
muito conhecido por sua trilogia Dragões de Éter. A intenção dele não era
lançá-lo em seu nome, na verdade, escreveu Espíritos de Gelo para um projeto de
uma editora de Portugal, no qual tinha a proposta de reunir mitos urbanos. A
ideia era que jovens autores participassem. Eis que é chamado, então, Raphael
Draccon.
Deu tão certo que ele foi lançado aqui no Brasil pela
Editora LeYa, com mais de uma edição. Pode ser classificado como um livro, mas
não é errado dizer que se trata de um conto ou uma lenda urbana, afinal possui
apenas 170 páginas repicadas em muitos capítulos.
A trama começa com um homem acordando em uma banheira,
sangrando e com muita dor, cercado por três outros caras que são narrados
petulantemente pelo pobre refém, que salpica a narrativa em primeira pessoa com
uma linguagem divertida para alguém que está sendo martirizado. São feitos
diversos tipos de tortura até que ele descubra que, para que aquilo termine,
ele deveria se lembrar como havia parado ali.
- O fato é que você apareceu desmaiado, com um rasgo no abdômen, dentro de uma banheira de gelo... Nós precisamos que você se lembre do porquê.
A partir daí ele inicia uma alternância entre presente e
passado em busca da razão que o trouxera àquelas circunstâncias.
O livro é bastante forte e pesado, com traços diferentes de
sexo e violência pipocados com alguns palavrões, completamente diferente de
Dragões de Éter ou Fios de Prata do mesmo autor. Porém é um diferente bom, pois
mostra uma variedade de estilos e prova que Raphael Draccon tem potencial para
ir além da fantasia infanto juvenil.
O início faz com que a leitura seja bem rápida por conta da
curiosidade de saber as razões para aqueles acontecimentos, até que se chegue à
metade e as coisas desacelerem um pouco. Apesar disso, o final é ótimo e nos faz
pensar sobre até onde o ser humano é capaz de ir para mostrar superioridade aos
outros. Limites físicos e psíquicos, indignação e vingança são alguns dos temas
abordados em Espíritos de Gelo, um livro com o título justificadíssimo no desfecho
do enredo e muito bem aplicado.

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