Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.
Ratos (lançado em 2011 pela Intrínseca) é um livro narrado em primeira pessoa por Shelley Rivers, uma garota de 16 anos, que já passou por diversos maus bocados. Porém o pior deles ainda está por vir.
Ratos (lançado em 2011 pela Intrínseca) é um livro narrado em primeira pessoa por Shelley Rivers, uma garota de 16 anos, que já passou por diversos maus bocados. Porém o pior deles ainda está por vir.
Shelley sempre foi uma criança gordinha, mas isso nunca
havia sido um problema. Tinha três grandes melhores amigas, Teresa, Emma e
Jane, que a fazia muito feliz. Tinha sua vida estruturada em uma família que a
completava: seus pais viviam em um casamento invejável.
Assim como a vida real, passamos por fases serenas e felizes
em nossas vidas, até que uma coisa comece a dar errado e então tudo dê. Coisas
ruins costumam vir todas de uma vez.
A escola já não era mais tão agradável. Suas amigas estavam
diferentes, e não era para melhor.
“Por volta dos catorze anos, elas começaram a mudar. E eu, não.”
As mudanças foram físicas e comportamentais. As garotas
trocaram suas prioridades e, ao perceberem que Shelley se mantinha a mesma,
iniciaram uma série de ações contra a pobre menina. O bullying, inicialmente
verbal, alcança proporções devastadoras à Shelley, principalmente quando passa
a ser físico. Simultaneamente a esses ataques, seus pais se divorciam, e então Shelley
se vê perdida no mundo.
“Nossa aparência afeta nossa personalidade? Ou é nossa personalidade que afeta nossa aparência? Um gato sempre parece um gato? Um rato sempre parece um rato?”
Shelley e sua mãe eram como ratos. Elas sempre procuravam se
manter afastadas de brigas, sendo totalmente coadjuvantes de suas próprias
vidas. O pai de Shelley some no mundo. Depois do Bullying chegar a gota d’água,
a ponto de mandar uma Shelley desacordada para o hospital, Elizabeth Rivers – a
mãe – toma a atitude de ir morar com sua filha em um local afastado.
Lá, elas se sentem seguras e podem viver a vida
insignificante que acham que estão fadadas a ter. Porém, na noite do 16°
aniversário de Shelley, um homem invade a propriedade delas e a partir daí
ratos e gatos se confundem.
A estória é muito impactante no início e muito bem escrita
por Gordon Reece. Em poucas páginas o leitor já se encontra envolvido na trama,
e indignado com o azar de Shelley e Elizabeth. É comovente. Os auges do enredo
de Ratos são muito bem escritos. O final é morno, mas a leitura até lá vale a
pena.
Ao pesquisar sobre outros livros desse autor lançados aqui
no Brasil, não encontrei nenhum outro! É uma pena e acho muito difícil ser
lançado ainda, pois Gordon Reece morreu há 12 anos e não tem nenhum outro
título marcante que poderia interessar a Intrínseca, em minha opinião. Tive a
grande surpresa de ver que esse autor britânico colaborou intensamente na
ascensão de Margaret Thatcher ao poder, quando ela ainda era uma candidata.
Depois disso, ele se tornou conselheiro dela e até aparece no filme “A Dama de
Ferro”.
Finalizando, Ratos é um livro forte, considerado de
Psicologia e Conduta, que deixa uma mensagem de uma garota que finalmente
começa a se conhecer e ver que é ela quem escolhe se é rato ou gato, apenas ela
e mais ninguém.
“Talvez aquilo que não conseguimos compartilhar com os outros seja o que realmente define quem somos.”

