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domingo, 22 de setembro de 2013

Sangue no Verão - Mons Kallentoft




É o verão mais quente de todos os tempos na província de Östergötland, no centro da Suécia. A cidade de Linköping sofre com uma bolha de calor, e nas florestas próximas eclodem os piores incêndios jamais vistos na área. Numa manhã, bem cedo, uma garota de catorze anos, é encontrada nua e ensanguentada, no maior parque da cidade. A jovem não se lembra de nada e não existem muitas pistas no local para a inspetora Malin Fors e seu colega Zeke seguirem. Mas quem foi que telefonou e contou onde iriam encontrar a garota e o que, realmente, aconteceu com ela?
Malin, que tem uma filha mais ou menos na mesma idade da jovem, fica muito consternada com o caso. Ao mesmo tempo, outra garota é dada como desaparecida pelos pais e, logo a seguir, faz-se uma nova descoberta numa praia fluvial, fora da cidade. O verão mais quente se transformará, em breve, num verdadeiro inferno.


Mons Kallentoft segue a sua série de estações com Malin Fors como protagonista. A cidade é a mesma, mas Linköping está com uma temperatura totalmente diferente da que encontramos no primeiro livro: estamos no verão. É muito difícil acreditar que, há 6 meses atrás, estava um inverno como nunca tinha sido visto e, agora, o verão mais quente de todos os tempos. Isso pode deixar muita gente insatisfeita, mas é este o ambiente que encontramos ao ler Sangue no Verão.
Inicialmente, devo dizer que o livro em muito me desapontou. Talvez porque eu gostei demais do primeiro, talvez porque o livro é fraco em excesso mesmo, ou até por conta da editora, mas eu não gostei.
Bem, a narrativa que tanto chama atenção no Inverno, se torna mais que maçante no decorrer do Verão, tornando a tarefa de terminar o livro muito cansativa. As comparações devem ser feitas. No Inverno, os traços feitos indicando o frio absurdo deram muito certo, gelando até mesmo o leitor. Porém, o calor que é descrito nesse outro livro é extremamente forçado. Os únicos pontos positivos da narrativa é que Mons dá, novamente, voz ao morto, fazendo com que isso se torne uma marca dele, já que faz com precisão; além disso, as reflexões feitas pelos personagens continuam atingindo o leitor em cheio.
[...] E, então, comecei a entender a entender que quem gritava era eu. Ficou tudo escuro aqui embaixo. Nenhuma dor, mas escuro e vazio. Dois morreram. Um perdeu as pernas. E havia eu. Não me importaria de ter trocado com outros.
O enredo que se forma no início do livro é muito empolgante. Diversas alternativas para o assassino são expostas, o que leva a contradições até aquele que observa os mínimos detalhes em busca da solução do caso. Só Malin para resolver este caso. Porém, o final é desapontador. Com diversas opções, Mons rende-se ao clichê policial.
Eu comentei sobre a editora e como ela contribuiu para que o livro fosse, para mim, um fiasco. A capa é linda, disso não há o que falar. Porém, nas abas do livro, onde se encontra mais um resuminho do enredo da trama em si, está um MEGA SPOILER, que a princípio você acha que é normal. Entretanto, você vai lendo, esperando que tudo o que foi dito na aba se concretize e o livro se inicie, de fato. Só que isso demora mais e mais, só acontecendo no final do livro mesmo. O que é descrito na aba só vem a acontecer quando falta menos de 50 páginas para a última palavra, ou seja, há pouca novidade para quem gosta de ser surpreendido.


Sangue no Verão não exige que o leitor tenha lido Sangue no Inverno, pois não há nenhuma relação que influencie a trama, exceto os personagens e a cidade em si. O livro também não nos dá a vontade de acompanhar as próximas estações, Outono e Primavera, mas, se você leu e gostou de Sangue no Inverno, vale dar uma chance.
Assim, espero que a série volte com a pegada que tornou esse autor um dos meus prediletos e que a editora colabore. Talvez Sangue no Outono ajude a decidir se Mons é mesmo um autor que deve ser consagrado, ou se apenas acertou em cheio em um título. Logo, logo a resenha deste que será o terceiro livro da série, já lançado no Brasil.

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